RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon) 13/01/2015
Em linhas gerais posso afirmar que talvez,
suponho que o interesse de Noah Gordon
fosse contar a aventura não da medicina, mas da ação (devir) de ser médico,
no século XI, uma época de conflito entre a razão e a fé, entre a ciência e a
religião, não somente na Europa, mas também no oriente médio apesar deste,
não tão exacerbado, mas com princípios dogmáticos presente nas três religiões
de tronco ideológico comum: cristianismo, islamismo e judaísmo.
Um indivíduo que se inicia na Inglaterra como barbeiro-cirurgião
que é uma mistura de curandeiro-chalantão e saltibanco em seguida
encaminha-se para Hamadãn, cidade do oriente médio, progressista para
formar-se na arte da ciência da saúde, como médico.
Lá conseguiu ser alunos de Ibn-e-Sina, o maior médico
e filosofo do oriente, seu cânone da medicina é “O Livro da Cura”, estudo analítico
dos médicos gregos e romanos, listou sistematicamente 760 drogas e descobriu
causas e tratamento de inúmeras doenças.
De tão amplo o livro com mais de 600 páginas abrange
inúmeros aspectos da vida, como: a história, a religião, a medicina, a
filosofia, a antropologia, a geografia, magia, química, linguística, etc.
Vale refletir sobre dois aspectos a proibição
da igreja, primeiro a prática do curandeirismo, uma vez que a doença
significava um castigo divino, um pecado cometido e esta deveria ser tratada somente
pelos padres, bispos e frades “homens de Deus”.
Outro aspecto é que, a fim de controlar a sociedade
em sua maioria rude e analfabeta, a igreja Católica induzia a crença nas
supertições e maldições implementada principalmente com a caça as bruxas,
logo a mentalidade europeia era temente a tudo que não entendiam, um medo
descontrolado.
Um ponto alto do romance esta presente no primeiro
capítulo e desenrola-se no final do livro, - quando Barber ensina a Rob seu
ofício e fala da proibição de mutilar corpos humanos, condenado a morte de
imediato, ato que está presente nas três religiões. O problema é levantado
quando Rob está estudando medicina e questiona quanto à proibição ridícula – “um
mulla pode mutilar o corpo humano, eliminando algo precioso que é a vida,
abrindo-o por completo: tirando as vísceras, pele e osso, contudo um médico que
tem como objetivo valvar vidas, é proibido de desenhá-lo ou estudar esse
corpo na busca de descobrir a causa de determinadas doenças, é lamentável”.
Contudo, já médico e numa cidade em guerra, Rob
ou Jessé bem-Benjamin contraria todas as leis islâmicas e começa a fazer
dissecações e desenhos de corpos humanos para estudar anatomia, descobre que
os porcos que eram usados como modelos têm anatomia diferente do homem. Descobre
a evolução de várias doenças como: a doença do lado, a doença perfurante
abdominal, etc. desenhavam ossos, músculos, tendões dentre outros isso apesar
do medo de ser descoberto.
Com a queda das principais cidades pelo novo
Alá-xá, e a morte de seus amigos Karim e Mirdin, Rob foge retornando a
Inglaterra, mas descobre que a medicina, mesmo depois de muitos anos
permanece quase a mesma. Fugindo para a Irlanda, terra de sua amada Mary, e
lá permanece cuidando do pequeno povoado e ensinando os filhos a arte da
medicina.
De Sotero
Silva.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon)
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