quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon)



RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon)  13/01/2015


Em linhas gerais posso afirmar que talvez, suponho que o interesse de Noah Gordon fosse contar a aventura não da medicina, mas da ação (devir) de ser médico, no século XI, uma época de conflito entre a razão e a fé, entre a ciência e a religião, não somente na Europa, mas também no oriente médio apesar deste, não tão exacerbado, mas com princípios dogmáticos presente nas três religiões de tronco ideológico comum: cristianismo, islamismo e judaísmo.

Um indivíduo que se inicia na Inglaterra como barbeiro-cirurgião que é uma mistura de curandeiro-chalantão e saltibanco em seguida encaminha-se para Hamadãn, cidade do oriente médio, progressista para formar-se na arte da ciência da saúde, como médico.

Lá conseguiu ser alunos de Ibn-e-Sina, o maior médico e filosofo do oriente, seu cânone da medicina é “O Livro da Cura”, estudo analítico dos médicos gregos e romanos, listou sistematicamente 760 drogas e descobriu causas e tratamento de inúmeras doenças.

De tão amplo o livro com mais de 600 páginas abrange inúmeros aspectos da vida, como: a história, a religião, a medicina, a filosofia, a antropologia, a geografia, magia, química, linguística, etc.

Vale refletir sobre dois aspectos a proibição da igreja, primeiro a prática do curandeirismo, uma vez que a doença significava um castigo divino, um pecado cometido e esta deveria ser tratada somente pelos padres, bispos e frades “homens de Deus”.

Outro aspecto é que, a fim de controlar a sociedade em sua maioria rude e analfabeta, a igreja Católica induzia a crença nas supertições e maldições implementada principalmente com a caça as bruxas, logo a mentalidade europeia era temente a tudo que não entendiam, um medo descontrolado.

Um ponto alto do romance esta presente no primeiro capítulo e desenrola-se no final do livro, - quando Barber ensina a Rob seu ofício e fala da proibição de mutilar corpos humanos, condenado a morte de imediato, ato que está presente nas três religiões. O problema é levantado quando Rob está estudando medicina e questiona quanto à proibição ridícula – “um mulla pode mutilar o corpo humano, eliminando algo precioso que é a vida, abrindo-o por completo: tirando as vísceras, pele e osso, contudo um médico que tem como objetivo valvar vidas, é proibido de desenhá-lo ou estudar esse corpo na busca de descobrir a causa de determinadas doenças, é lamentável”.
Contudo, já médico e numa cidade em guerra, Rob ou Jessé bem-Benjamin contraria todas as leis islâmicas e começa a fazer dissecações e desenhos de corpos humanos para estudar anatomia, descobre que os porcos que eram usados como modelos têm anatomia diferente do homem. Descobre a evolução de várias doenças como: a doença do lado, a doença perfurante abdominal, etc. desenhavam ossos, músculos, tendões dentre outros isso apesar do medo de ser descoberto.

Com a queda das principais cidades pelo novo Alá-xá, e a morte de seus amigos Karim e Mirdin, Rob foge retornando a Inglaterra, mas descobre que a medicina, mesmo depois de muitos anos permanece quase a mesma. Fugindo para a Irlanda, terra de sua amada Mary, e lá permanece cuidando do pequeno povoado e ensinando os filhos a arte da medicina.

De Sotero Silva.

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