sexta-feira, 17 de julho de 2015

GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo. pág. 266.


"Quando tentamos organizar o mundo que nos cerca, o uso de opostos é extremamente útil. Dia-noite, fêmea-macho, morto-vivo, esquerda-direita, rico-pobre, as polaridades estão por toda parte. É muito provável que o nosso próprio cérebro seja produto dessa realidade polarizada, bem adaptado ao mundo onde ele deve funcionar. Em outras palavras, organizamos o mundo à nossa volta em termos de opostos porque nosso cérebro, sendo produto de interações otimizadas com essa realidade externa, foi desenvolvido para funcionar dessa maneira.
Essa seria, numa versão simplificada, a explicação oferecida pela teoria da evolução para o desenvolvimento de nosso cérebro a partir da seleção natural. Mas, se esse for de fato o mecanismo através do qual nosso cérebro evoluiu, somos obrigados a enfrentar uma questão bastante desagradável. Se nosso cérebro, e, portanto, o modo como pensamos, é produto do ambiente em que ele funciona, será que podemos construir uma visão “pura” do mundo? Em outras palavras, será que podemos transcender a limitação de sermos “criaturas do mundo”, de modo a construir uma visão realmente completa, sobre-humana, da realidade? Ou será que estamos aprisionados dentro de nossos próprios mecanismos racionais? Parece que temos de aceitar o fato de que nossa percepção da realidade é realmente limitada.
Eu me convenço de que, mesmo que “novos” horizontes possam existir, eles são horizontes em fuga, que nunca serão atingidos; numa terra de horizontes em fuga, um viajante inspirado sempre encontrará novas maravilhas. Pelo menos, essa é a minha metáfora para a criatividade humana.
E assim, armados com nosso cérebro finito, nos questionamos sobre o infinito e sobre como transcender a realidade bipolar em que vivemos".


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Quinze – Raquel de Queiroz



23/01/2015 - O Quinze – Raquel de Queiroz

O tema principal trata do sofrimento da família de Chico Bento e Cordulina que em virtude da seca davastadora do ano de 1915, tiveram que deixar o sertão nordestino e buscar sobrevivência em Fortaleza. Por falta de dinheiro tiveram de vir caminhando pela caatinga, a autora cita varias passagens do clima e da vegetação castigada pela seca. Esses retirantes viajam somente com rapadura e farinha; a aventura da família inicia quando sem água e sem comida debaixo do sol escaldante seus olhos lacrimejavam de dor, fome e sede. Situação piora quando seu filho – Josias se alimenta da raiz crua da mandioca e morre envenenado, o outro Pedro, o mais velho, desaparece na caatinga à noite, apesar das buscas não mais o encontram.

Chegando a Fortaleza reencontram a família de Conceição que os ajuda, e pede para criar o caçula, a qual era madrinha e estava só pele e osso. Chico Bento não consegue emprego e viaja para São Paulo na busca de uma vida melhor.

Já em dezembro as primeiras chuvas começam a cair e Dona Inácia avó de Conceição, tem a esperança de uma vida melhor e retornar para o nordeste.

O Livro coloca em segundo plano o amor não correspondido entre Conceição, uma jovem educada inteligente que gosta de ler livros sobre a sociedade e a luta pelos direitos de igualdade de gêneros. Vicente, o apaixonado, um rude sertanejo que vive da criação de gado na fazenda em Quixadá.

De Sotero Silva.

RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon)



RESENHA: O FÍSICO (Noah Gordon)  13/01/2015


Em linhas gerais posso afirmar que talvez, suponho que o interesse de Noah Gordon fosse contar a aventura não da medicina, mas da ação (devir) de ser médico, no século XI, uma época de conflito entre a razão e a fé, entre a ciência e a religião, não somente na Europa, mas também no oriente médio apesar deste, não tão exacerbado, mas com princípios dogmáticos presente nas três religiões de tronco ideológico comum: cristianismo, islamismo e judaísmo.

Um indivíduo que se inicia na Inglaterra como barbeiro-cirurgião que é uma mistura de curandeiro-chalantão e saltibanco em seguida encaminha-se para Hamadãn, cidade do oriente médio, progressista para formar-se na arte da ciência da saúde, como médico.

Lá conseguiu ser alunos de Ibn-e-Sina, o maior médico e filosofo do oriente, seu cânone da medicina é “O Livro da Cura”, estudo analítico dos médicos gregos e romanos, listou sistematicamente 760 drogas e descobriu causas e tratamento de inúmeras doenças.

De tão amplo o livro com mais de 600 páginas abrange inúmeros aspectos da vida, como: a história, a religião, a medicina, a filosofia, a antropologia, a geografia, magia, química, linguística, etc.

Vale refletir sobre dois aspectos a proibição da igreja, primeiro a prática do curandeirismo, uma vez que a doença significava um castigo divino, um pecado cometido e esta deveria ser tratada somente pelos padres, bispos e frades “homens de Deus”.

Outro aspecto é que, a fim de controlar a sociedade em sua maioria rude e analfabeta, a igreja Católica induzia a crença nas supertições e maldições implementada principalmente com a caça as bruxas, logo a mentalidade europeia era temente a tudo que não entendiam, um medo descontrolado.

Um ponto alto do romance esta presente no primeiro capítulo e desenrola-se no final do livro, - quando Barber ensina a Rob seu ofício e fala da proibição de mutilar corpos humanos, condenado a morte de imediato, ato que está presente nas três religiões. O problema é levantado quando Rob está estudando medicina e questiona quanto à proibição ridícula – “um mulla pode mutilar o corpo humano, eliminando algo precioso que é a vida, abrindo-o por completo: tirando as vísceras, pele e osso, contudo um médico que tem como objetivo valvar vidas, é proibido de desenhá-lo ou estudar esse corpo na busca de descobrir a causa de determinadas doenças, é lamentável”.
Contudo, já médico e numa cidade em guerra, Rob ou Jessé bem-Benjamin contraria todas as leis islâmicas e começa a fazer dissecações e desenhos de corpos humanos para estudar anatomia, descobre que os porcos que eram usados como modelos têm anatomia diferente do homem. Descobre a evolução de várias doenças como: a doença do lado, a doença perfurante abdominal, etc. desenhavam ossos, músculos, tendões dentre outros isso apesar do medo de ser descoberto.

Com a queda das principais cidades pelo novo Alá-xá, e a morte de seus amigos Karim e Mirdin, Rob foge retornando a Inglaterra, mas descobre que a medicina, mesmo depois de muitos anos permanece quase a mesma. Fugindo para a Irlanda, terra de sua amada Mary, e lá permanece cuidando do pequeno povoado e ensinando os filhos a arte da medicina.

De Sotero Silva.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ESTRELAS


             Quando olhamos para o céu em uma noite escura vemos centenas de pontos brilhosos e as chamamos de ESTRELAS. Umas pouco maiores, outras menores, umas brilhantes outras pouco menos e nos enchemos de interrogações em buscar compreendê-las, hoje a ciência do cosmo sabe muito sobre esses astros que nos enchem de alegria e curiosidade.
            Segundo Hugo Vicente Capelato, no livro INTRODUÇÃO A ASTRONOMIA E ASTROFÍSICA, disponível em pdf, discorreu um capítulo especialmente sobre as ESTRELAS.
A estrela Alfa do Centauro, a estrela mais próxima de nós, que na verdade é um sistema triplo de estrelas. Outro é o grupo de 7 estrelas que formam as Plêiades, discutido mais adiante 1. Na verdade quase metade das estrelas fazem parte de sistemas duplos, de apenas dois membros, chamados estrelas binárias.
A distância média que separa estrelas vizinhas (ignorando os sistemas binários) é de cerca de 4 anos-luz. Esta distância eqüivale a 253.000 unidades astronômicas ou a 27 milhões de vezes o diâmetro do Sol: o espaço entre as estrelas é imenso, comparado com o tamanho das estrelas, ou mesmo do Sistema Solar.
As gigantes vermelhas são estrelas que já esgotaram boa parte de suas reservas de hidrogênio: como, então, como podem emitir tanta energia para serem assim luminosas?
Nesta contração, uma parte da energia potencial gravitacional contida na estrela é liberada. É esta energia que provê a sua luminosidade. Mas isto somente por curtos períodos, até que outros “combustíveis” nucleares possam entrar em “ignição”. Adiante iremos rever estas questões com maiores detalhes.
As anão-brancas são o último estágio da evolução de muitas estrelas. Nesta fase a sua luminosidade é unicamente devida à energia térmica ou seja, calor, ainda disponível: a estrela se esfria lentamente. Mais de 10% das estrelas na nossa vizinhança são anãs brancas, mas elas são muito difíceis de serem vistas, dada a sua fraca luminosidade. Nem todas as estrelas, no entanto, terminam suas carreiras como anãs-brancas. Algumas tornam-se estrelas de neutrons, e outras ainda transformam-se em buracos negros.
As estrelas variáveis “de fato” são estrelas que periodicamente se expandem e se contraem, pulsando tanto em brilho como em tamanho. Por isso são também denominadas estrelas pulsantes.
A velocidade média das partículas de um gás varia aproximadamente com a raiz quadrada da sua temperatura (mais exatamente, com T /mp , onde mp é a massa da partícula). Na nossa atmosfera, a temperaturas de 27oC = 300 K, as moléculas de oxigênio tem velocidades médias de aproximadamente 0,5 km/s.
O gás então consiste, de fato, de núcleos atômicos e elétrons movendo-se independentemente. A radiação que é produzida neste gás quente e denso constituída de raios X intensos, e não daquela radiação luminosa que escapa da superfície relativamente fria da estrela.
A música das estrelas rivaliza com a das baleias. O seu interior é uma sinfonia de sons, reverberando fragores e trovões e sibilando agudos lamentos. São as ondas acústicas que, percorrendo a estrela em aproximadamente 1 hora, fazem com que as várias partes da estrela se comuniquem umas com as outras, permitindo que ela encontre, a todo momento, o estado de equilíbrio mais apropriado e natural. A estrela se reajusta vibrando em vários modos de baixa frequência. Na outra ponta da escala sonora, umas 60 oitavas acima, o sibilar das partículas de alta velocidade, se encontrando e empurrando umas às outras, produzem ondas que atravessam apenas pequenas distâncias. Não bastasse essa imensa orquestração de sons, a estrela também funciona como um enorme alto-falante.

FUSÃO OU FISSÃO

Brincando de alquimistas e utilizando os núcleos de átomos já existentes e a partir deles construir os outros. Podemos JUNTÁ-LOS, e então teremos um processo de fusão nuclear, ou QUEBRÁ-LOS em núcleos menores, no processo de fissão nuclear. No entanto, embora o objetivo dos alquimistas fosse à transmutação dos elementos, o objetivo da estrela é obter energia nuclear suficiente para compensar as suas perdas. Isto só pode ser realizado quando o núcleo final tem energia de ligação maior que os núcleos iniciais. As estrelas obtém sua energia através da fusão e a humanidade transforma a energia através da fissão nuclear.
As estrelas da sequência principal produzem sua energia pela queima do Hidrogênio e a sua lenta transmutação em Hélio. A energia é produzida na região central da estrela, onde a temperatura e a densidade são mais altas, e então lentamente é transportada para a sua superfície.
Esse processo de reações, nas quais 4 prótons se combinam para formar um núcleo de Hélio-4, é conhecida como queima do hidrogênio ou ciclo p-p. e pode ser esquematizada como abaixo:
Próton + próton => D + e+ + neutrino
H2 + próton => He3
He3 + He3 => He4 + próton + próton
Onde D (ou H2 ) representa o núcleo de Deutério; He3 , o de Hélio-3; He4, o de Hélio-4 e e+ , o pósitron

NASCIMENTO DAS ESTRELAS
A maioria das estrelas da nossa Galáxia (foram formadas) foi formada há muito tempo. Apesar disso muitas estrelas são ainda jovens e novas estrelas também estão se formando, como podemos observar na nebulosa de Orion, por exemplo. As novas estrelas nascem nas grandes nuvens de gás e poeira - nuvens escuras - que se espalham pelo meio interestelar. Estas NUVENS MOLECULARES são formadas por mais de 80% de Hidrogênio (na forma molecular, H2), uns 18% de Hélio e umas “pitadinhas” - 1% a 2% - de elementos mais pesados.
Como, então, nascem as estrelas ? O principal fator externo são os braços espirais da Galáxia, que é o fator mais importante, pois é ele que dá início ao processo; o principal fator interno são as explosões das estrelas mais jovens e maior massa (estas estrelas em explosão são as chamadas estrelas Supernovas), formadas no interior da própria nuvem e que fazem com que o processo de formação estelar se propague por toda a nuvem, como um incêndio numa floresta seca.
Quando, finalmente, encontra a sua melhor estrutura interna a estrela entra num estado quiescente de queima do Hidrogênio em Hélio, o qual pode durar bilhões de anos: agora ela é uma estrela da sequência principal.

VIDA E MORTE DAS ESTRELAS

O que irá acontecer com uma estrela da sequência principal após esgotarem todo o seu Hidrogênio central, dependerá da massa que ela que ela tiver. De maneira geral, as estrelas evoluem tanto mais rapidamente quanto maior for a sua massa. As estrelas de massa menor que o Sol, levam muito tempo para fazer isto, mais do que os 10 bilhões de anos, que é a idade da Galáxia.
Depois que a estrela consome todo o seu suprimento de Hidrogênio central, ela deixa a sequência principal e começa a se mover, no diagrama HR, em direção à região das estrelas gigantes vermelhas. A região central agora é constituída quase que inteiramente de Hélio e não produz mais energia alguma. No entanto a estrela continua irradiando energia pela sua superfície. A maior parte desta energia está acumulada na região central, o caroço da estrela. Ele perde energia, esfria-se e começa a se contrair,

A VELHICE

A partir do momento que a estrela deixa a sequência principal, é sinal que ela está entrando na sua “3a idade”. Ela tem, comparativamente, pouco tempo de vida. Infelizmente, não lhe resta muito combustível nuclear. Agora tudo que pode fazer é tentar queimar o Hélio que ainda lhe sobrou, e proceder a fusão paulatina de todos os elementos, passo a passo, até o Níquel e o Ferro.

GIGANTES VERMELHAS E ANÃS BRANCAS

Vamos começar considerando as estrelas de massa menor que 2 massas solares. Elas terminam sua vida como anãs brancas. Durante sua fase gigante vermelha, estas estrelas continuam a contrair o seu caroço central até que a sua temperatura e densidade sejam suficientemente altas para iniciar a queima do Hélio em Carbono.

ESTRELAS DE NEUTRONS E BURACOS NEGROS

Uma estrela de neutrons tem um raio pouco maior que 10km e densidade perto dos 1000 trilhões de gramas/cm3. Uma gotinha de matéria neutrônica pesaria na Terra milhões de toneladas. Uma estrela de neutrons possui campos magnéticos de 1012 graus - um trilhão de vezes mais intenso que o campo magnético da Terra - e começa sua vida girando rapidamente, a centenas de voltas por segundo. Ela é um pulsar.
Das cinzas da estrela morta uma nova estrela nasce, uma estrela que envia através do espaço uma mensagem pulsada que chega aos confins da Galáxia. Por milhões de anos, pulsando cada vez mais lentamente, o pulsar irradia a sua energia rotacional.
As estrelas de neutrons nunca têm massas maiores que 3 massas solares. Isto acontece porque a matéria neutrônica não é capaz de suportar forças gravitacionais produzidas por massas maiores que este valor. Por isso a implosão dos caroços centrais das estrelas de grande massa nem sempre resultam em estrelas de neutrons. Se sua massa for maior que este valor crítico, a implosão continua até produzir um buraco negro. Não iremos discutir estes objetos tão intrigantes, apenas comentar que eles possuem campos gravitacionais extremamente intensos. O espaço-tempo no seu entorno é completamente encurvado e, embora a matéria possa ser atraída por ele, dele nunca poderá escapar.

síntese: Sotero Silva 


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Vida no Limite: A ciência da sobrevivência.

livro: A Vida no Limite: A ciência da sobrevivência.
Frances Ashcroft

Tradução de: Maria Luiza X. de A. Borges

Está disponível em pdf, entre tantas passagens escolhi essa citação Há uma diferença, no entanto, entre sobrevivência e crescimento. Sem água líquida, a vida (pelo menos como a entendemos) não pode existir senão num estado de suspensão das funções vitais. O crescimento e a reprodução simplesmente não são possíveis. Assim, a busca de vida em outro lugar do sistema solar é na realidade uma busca de água. E há lugares onde pode haver água líquida. Em 1979, a sonda Voyager chegou a Júpiter e descobriu que o satélite Europa do planeta estava coberto por uma camada de gelo. Dados mais recentes, obtidos pela sonda Galileo, sugerem que pode haver um oceano de água líquida aprisionada à muitos quilômetros abaixo da crosta congelada da Lua.